Dogma


É como um anzol vindo do céu. É como se um conto de fadas sobre um paraíso imaginário acima da atmosfera quisesse fisgar nossa capacidade de pensar e nos pescar, como peixes indefesos, e matar nossa liberdade. Nós, a maioria formada por peixes condicionados a não questionar o que lhes é imposto, olha pra cima e vê um lugar desconhecido. Vê a imensidão azul e crê piamente que ali existe algo a mais.

Mas quando um peixe é pescado, o que ele encontra? Morte. Fim dos seus desejos, fim dos seus dias. O anzol com um petisco na ponta lhe prometia melhores dias, não é mesmo? Mas seus dias acabarão, da forma mais simplória e normal possível. Mas você escolhe se eles serão terminados enquanto você tem seu cérebro pescado por uma ideologia de 2.000 anos ou por conta própria, decidindo você mesmo o que quer da sua vida.

Por que tanto falam de céu?


É por que as pessoas acham lá em cima acharão uma saída. Acham que projetando sua existência numa escada que vai te levar pra o céu, conseguem esquecer dos seus problemas. Acham que tudo aqui pode ser explicado com interpretações bíblicas, e que a vida é só uma passagem, uma subida em rumo ao paraíso. É uma fuga, uma fuga desesperada, uma tentativa de saída no meio de um mundo cruel em rumo a uma sociedade utópica.

Mas problemas não se resolvem com fugas. Fuga é fuga. O problema continua lá, você só está longe dele. E assim funciona. Os problemas estão aqui presentes, estão aqui normalmente em nossas vidas, e ao invés de pensarmos em soluções, nos ajoelhamos, juntamos as mãos e oramos pro nada. Achando que ajuda vai cair do céu, achando que Ele vai encontrar uma saída.

Mas não existe Ele. Não existe saída. Só existe o ser humano e os seus problemas, e a possibilidade de tentar resolvê-los ou fechar os olhos e esperar que a maior farsa de todos os tempos resolva tudo pra você.



E então, usam historinhas sobre um superman de dois milênios atrás para sustentar uma ideologia obscura, que limita o homem usando argumentos divinos, que na verdade são baseados em interesses humanos. Uma ideologia de sombras, que escureceu o pensamento humano durante a Idade Média e continua fazendo merda até hoje. A imagem de um homenzinho raquítico e fracassado preso em dois pauzinhos acaba movendo o mundo, e elevando, como em saltos plataforma, a igreja à categoria de quarto ou quinto poder.

Criaram um Deus para esquecer do homem. E então, quando ficam felizes, agradecem "primeiramente a Deus" e não a quem realmente merece. Se têm sorte, foi Ele que proveu. Se não têm, foi por que ele achou que seria melhor assim. E tudo tem explicações fáceis, sustentadas em bases tão sólidas como saltos de palito de dente.


E então, quando estiver afundando, quando estiver passando pela pior fase da sua vida, esqueça de tentar sair dessa. Dar a volta por cima? Isso é para os fracos. Não tente se salvar. Junte as mãozinhas e reze para que ele te salve, pois ele é que decide se você vai se salvar ou não.

E assim, milhares de pessoas jogam suas vidas não mãos de Deus. E como Deus não existe, jogam sua vida no nada. Joga a vida fora, e a cada dia afundam mais um pouco, ficando cada vez com menos ar pra respirar, menos poder de escolha, mais limitações, mais medo e mais covardia. Fecham os olhos pros seus reflexos, que mostram pessoas que se acostumaram com a ilusão e não querem aceitar a verdade: Vocês estão sozinhos, e tem que se virar.

Quatro imagens, um só dogma.

O que você vê te faz pensar, você pensa no que não vê ou não quer ver o que no fundo está pensando?

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