Vamos falar sobre religiões.

No tempo das cavernas, não existiam cientistas. Não existiam livros, não existiam bibliotecas. Não existia nem WIKIPÉDIA. Ou seja, tudo que acontecia não tinha explicação exata. Se chovia, ninguém sabia que era um fenômeno causado pela evaporação da água se acumula em nuvens que ficam pesadas e chovem. Se anoitecia, ninguém sabia que era uma consequência do fenômeno de rotação da terra. Se existiam períodos muito quentes ou muito frios, ninguém sabia que era culpa da inclinação do eixo da terra em direção ao sol.

Não havia conhecimento científico.

Mas o ser humano precisa de respostas. E então, o homem criou Deus, à sua imagem e semelhança. Ou melhor, criou DEUSES. Na índia, Shiva, Parvati, Ganesha. Na áfrica, Oxum, Oxalá, Iemanjá. Na grécia, os mais conhecidos, Zeus, Apolo, Afrodite. Todos eles criados pra dar explicações ao homem e satisfazer as dúvidas que os corroíam por dentro.

Pronto, respostas! Tempestades? Pfff, foi Zeus irritado. Pôr-do-Sol? Bah, é Apolo indo embora. Terremotos? Foi Hades que está com raiva, ÓBVIO!

Ou não é tão óbvio assim? Para os naturalistas, não era. Foram os primeiros cientistas e filósofos, que começaram a questionar essas verdades religiosas. Eles se perguntavam, "Quem são esses Deuses que são responsáveis por tudo mas que nunca apareceram?" ou então "Quer dizer então que agora todos nós viemos de um espirro de um titã?"

Enfim, a partir disso tudo começou a ser questionado. E aí surgiu ele, o CONHECIMENTO. A mãe de todas as ciências, a FILOSOFIA. E dela surgiu a matemática, a medicina, a biologia... E a grécia virou a grécia que conhecemos, evoluída, com Democracia, Astronomia, Sócrates, Platão, Aristóteles, Anaxímenes e todos esses nomes antiquados e complicados.

A dúvida gerou necessidade de provas. E as provas geraram conhecimento científico. Só que existiam coisas que a ciência não provava.

- Por que tudo dá errado pra mim?
- Por que eu amo fulana que é casada?
- Por que eu odeio sicrano?
- Por que existe a maldade, a bondade, a falsidade, a honestidade e todas essas coisas abstratas, porém tão presentes em nossas vidas?

A Grécia, que já tinha virado Roma, estava em decadência. Os deuses gregos não convenciam mais ninguém, e era preciso dar um UpGrade nesas crenças religiosas. E aí, algumas pessoas se juntam e criam um novo Deus, único, perfeito, que criou tudo, é plena bondade, onipotente, onipresente e oniciente. E o melhor: Um deus que responde essas perguntas abstratas, pois ele não foi criado sozinho. Se para cara Zeus há um Hades, pra cada Deus há um Diabo.

- Por que tudo dá errado pra mim?
R: VOCÊ PECOU! Ore três ave marias.

- Por que eu amo fulana que é casada?
R: Você está em tentação. Não deve ter pagado o dízimo.

- Por que eu odeio sicrano?
R: O diabo está te tentando. Ajoelhe no milho por 5 horas.

- Por que existe a maldade, a bondade, a falsidade, a honestidade e todas essas coisas abstratas, porém tão presentes em nossas vidas?
R: Por que DEUS quis assim, ORA BOLAS!

E aí ficou tudo muito lindo. Criaram uma história gigante, uma bíblia (literalmente). O protagonista dela é um Deus bondoso, que é invisível, intocável, improvável, mas que dá pra sentir... no coração s2. Todas as dúvidas foram respondidas, e o melhor... A religião dominou o mundo!

Sim, dominou. Primeiro, por que o clero (como os padres, bispos e todo mundo era chamado) tinha poder soberano nos países. Estamos falando de tempos feudais, épocas de reis e rainhas. O rei era o representante de Deus na terra, e os padres eram os semeadores da palavra de Deus. Todo o povo devia pagar dízimo e dar bens para a igreja, pois a igreja dizia que eles não estavam dando, e sim DEVOLVENDO uma parte do que receberam de Deus. Quem tinha religiões diferentes foi forçado a acreditar no cristianismo, com o pretexto de "civilizar os selvagens", como os africanos, tribos americanas, índios brasileiros... A igreja se tornou a instituição mais rica e poderosa da época, matando e controlando vários cientistas com a "Inquisição", tipo uma polícia onde as leis que valiam eram as leis da Igreja.

Comparando com Harry Potter, é tipo assim: Quem acreditava em deus e na igreja eram trouxa, e podia viver. Quem duvidava e tentava fazer ciência era bruxo, mas vinha logo a Inquisição do Voldemort e pá, metia na fogueira. E assim morreram milhares de Harry Potters, ou Joanas D'arc.

Durante muito tempo todos acreditavam em Deus, pois só ele dava as respostas (e só se era permitido acreditar nas respostas dele). Até que BOOM, outra explosão de ciência. Chegamos no Renascimento, e na Idade Moderna. a Arte e a ciência voltam a reinar, o homem volta a ser soberano de sua vida, e não um deus. A vida que passa a valer é a atual, e não uma vida futura e imaginária em um lugar incerto e desconhecido. E novamente, acontece uma explosão de conhecimento: Metalurgia, Máquinas a Vapor, Eletricidade, Psicologia... É uma época onde surge a idéia de que Religião e Ciência não são inimigas; seriam aliadas.

E chegamos nos dias de hoje. Mais e mais pessoas começam a duvidar, a querer procurar conhecimento, a querer questionar a religião que lhes é imposta desde o nascimento. Imposta por que todo mundo já nasce com a religião de sua família, graças ao batismo. E essa cultura religiosa, com cidades com nomes de santos (São Paulo, Santa Catarina), feriados religiosos (Natal, Páscoa) e igrejas em todo bairro começa a ser questionada.

Por que eu tenho que acreditar que viemos de Adão e Eva se eu acho a teoria de Darwin mais lógica?
Por que eu tenho que acreditar que Deus inundou todo o mundo, matou milhares de pessoas e ainda é a pessoa mais bondosa do mundo?
Por que eu tenho que acreditar que Deus criou tudo, se a bíblia não diz quem criou Deus?

Questionamentos simples começaram a surgir, o que é super normal. Principalmente na adolescência, onde outras verdades, além das religiosas, também são questionadas:

Por que homem tem que casar com mulher?
Por que tem que existir pobres e ricos dividos em classes sociais?
Por que o padrão de beleza é de gente branca, loira, magra e de olhos azuis?
Por que o homem recebe mais que a mulher e trabalha enquanto as mulheres ficam em casa e cuidam dos filhos?

Época de liberdade de pensamento, época de questionamento, época de revolução. Muitas dessas dúvidas revolucionaram o mundo: Surgiu a comunidade gay lutando pelos seus direitos; surgiu a esquerda comunista, lutando por um mundo melhor segundo a sua concepção; Surgiu uma revolução na beleza, onde agora começamos a ver pessoas negras protagonizando novelas e pessoas gordas em reality shows, e o movimento feminista continua até hoje lutando por direitos iguais.

TODAS essas dúvidas com o tempo foram respeitadas. Menos uma.

POR QUE RAIOS TODOS DISCRIMINAM OS ATEUS?

Se um cristão fala o que acha da religião dele, ninguém pode questionar, tem que respeitar o que ele pensa.
Mas se um ateu fala o que acha da religião, todos jogam pedras e falam que ele está desrespeitando a religião dos outros.
Quando alguem fala que é ateu, muita gente pensa "Argh, ele é ateu, não deve ter coração, não deve ter ética, deve ser um endemoniado do mau que não acredita em Deus!"
E quando alguém fala que é religioso, todos pensam "Que bom, ele é cristão, é alguém digno, que procura não pecar e segue os ensinamentos de Deus.

Ei, você que acha que religião define caratér:






Um deles é um grande ditador que matou milhões de judeus no holocausto só por causa de preconceito barato. O outro é um grande ator, roteirista e músico que fez filmes geniais, críticos, cheios de humor e levou alegria pra muita gente.

Ok, os dois tem um bigodinho ridículo, mas quem é o ateu e quem é o cristão?

Pois bem, acertou quem disse que HITLER era cristão e CHARLES CHAPLIN era Ateu. Por que não é religião que define caráter, e não por que alguém acredita ou não em Deus que ela vai pecar ou não. No final, todos fazem a mesma coisa: Procuram fazer o bem. A diferença é que os cristãos na maioria das vezes fazem o bem por que Deus ordenou e por que se não fizerem vão pro inferno, e os ateus fazem o bem por que sabem que isso é o certo.

Uma pesquisa com o eleitorado revelou com 98% da população preferia votar em um negro ou em um gay do que em um ateu pra governar, por que as pessoas associam ateísmo a desrespeito e a falta de caráter. Uma pessoa que diz ser atéia numa entrevista de emprego tem menos chances de conseguir o trabalho, e enquanto nas famílias aumentou uma tolerância a filhos gays, os ateus até hoje se escondem no armário.

E mais: Sabia que você que está lendo o texto é ateu? Sabia? Ou você discorda?
E o que você diz de Alah, de Shiva, de Zeus, de Buda, etc? Se você não acredita em algum deles, você é ateu em outra religião. Não vale dizer que todos são uma pessoa só, por que na bíblia está bem claro, Deus considera essas outras religiões puro paganismo (o que é diferente de satanismo).

Eu, que escrevo esse texto, sou ateu. E não é tão fácil assim. Primeiro, minha família é totalmente católica, e sempre que vê um ateu na TV fica discriminando e falando mal. Uma apresentadora do jornal hoje é atéia, e minha família mudou de canal só pra não ver ela dando as notícias. Meu pai já me disse que prefere que eu seja tudo, drogado, gay, ladrão, qualquer coisa, menos ateu. Por que segundo ele, drogados, gays e ladrões tem salvação, por que estão no caminho de Deus. E os ateus não. Toda hora um colega meu fica me questionando, "mas menino, por que você é ateu? Você tem que acreditar em ALGOO! Como é que você faz isso contigo, como é que você é ateu?" Como se falassem "Por que você pegou AIDS? Por que? Como é que você deixou isso aconteceu com você?"

Relembrando, ser ateu não é ser anticristo. Não é por que a pessoa é atéia que ela vai sair por aí rasgando bíblias e xingando dentro de igrejas. E ser ateu não é ser satânico, pois quem não acredita em deus por que sente falta de provas de sua existência, também não acredita em diabo, por que ele é igualmente sem provas de vida.

E aí tem gente que tenta forçar os ateus, dizendo: Mas você tem PROVAS de que Deus não existe pra falar isso?

Ora, ora. Então se for assim, o Papai Noel, a Branca de Neve, o Coelhinho da páscoa e os duendes existem, pois ninguém tem provas concretas de que eles não existem. E você sabia que você tem uma conta invisível no Bradesco com um milhão de reais? O quê, você não acredita? PROVE que ela não existe!

Como eu já falei, acho errado encarar esse tipo de tópico como desrespeito à outras religiões. Isso é somente o que um ateu pensa. Dizer que o modo de pensar de um ateu desrespeita sua opinião é o mesmo que desrespeitar a minha, ou querer nos censurar. Criei esse primeiro post da minha coluna com uma moral da histórica: Preconceito contra ateus é ridículo! Podemos viver todos em paz, pois todos somos diferentes!

Eu, por exemplo, tenho amigos que votam em Serra por que acham que ele é o verdadeiro candidato que ajudaria os pobres! Eu discordo, mas não é por isso que acho que essas pessoas são burras ou não merecem minha amizade.

Também tenho amigos que acreditam que a equipe Gnomos, da gincana do meu colégio, a maior perdedora de todas as gincanas, é a melhor equipe do mundo! Também discordo, mas isso não abala nossa amizade! Respeito a opinião deles!

Tenho amigos VASCAÍNOS! Acho que essa é até auto-explicativa...

Então, se nós aceitamos tantas diferenças de opinião, de opção sexual, de cor, por que não aceitar também a falta de religião alheia?

Por que dizer que Dilma é melhor que Serra não é um desrespeito com os tucanos, nem o contrário. É uma opinião. Ou seja, dizer que Deus não existe não é um desrespeito, também é só um modo de pensar!

Não estou tentando "desenvangelizar" ninguém. Só promovendo mais aceitação, coisa que a própria GaGa está fazendo com Born This Way :D

Padronização

Padronizar é ruim? É bom? O que faz o padrão, por que existe o padrão? Ele realmente existe?

Olho essa imagem e vejo um asfalto com uma faixa de pedestres, listrada. Preto, branco, preto, branco (ou como diria um didi muito sem graça, cor sim, cor não, cor sim, cor não). E ao lado, vemos um jovem, vestido de faixa de pedestres. Quer dizer, ele não está vestido de faixa de pedestres, mas está usando a mesma estampa. Logo ele se padronizou? Enfim, a estampa de sua camisa remete ao asfalto, mas sua cabeça continua intacta. Podemos identificá-la claramente e é essa a parte que mais chama atenção da imagem: a parte que foge do padrão.

Olho ao redor e vejo padrões. E vejo pessoas que se enquadram nesses padrões e pessoas que não se enquadram. E vejo mais: pessoas que seguem esses padrões e as que criticam. Mas enfim, seguir cegamente e criticar fervorosamente tem embasamento? Por que tanta ênfase aos padrões?

Se a pessoa não se enquadra no padrão, alguns falam que ela será sempre excluída. Será sempre o alvo de piadinhas e sempre será "a diferente". Como a única marca de corretivo numa folha limpinha. Ela chama atenção, e chama de forma negativa.

Se a pessoa se enquadra no padrão, ela é alienada. É sem personalidade, "Maria-vai-com-as-outras", sem opinião própria. Segue o que os outros seguem, é mais um pontinho da multidão, é mais uma listra no asfalto.

Pior do que ser padronizado ou não, é ser fixado pelos padrões. Ter objetivos como "Não seguir nenhum padrão" ou "Seguir todos os padrões". A primeira, de não seguir padrão algum, usa o argumento da originalidade. A pessoa se priva de todas as experiências em conjunto com os outros e se priva de todos seus fatores em comum com o resto da sociedade só para mostrar que é original. SOU ORIGINAL, SOU ORIGINAL, OLHE PARA MIM! Sou original, quero provar que não sou igual aos outros, quero me destacar... quero chamar atenção. Quero discordar de tudo e de todos para ser "O diferente", "O polêmico". E esse viciado em diferença acaba abandonando todos os comportamentos que deseja fazer em prol da originalidade.

O segundo objetivo, "Seguir todos os padrões". Ser escravo da padronização, ser escravo da moda, seguir a tendência. É tendência seguir a tendência! E ao seguir a tendência, você tende a se esculpir segundo olhos alheios, valores alheios. Concordar com tudo e calar sua opinião, pois seu pensamento também tem que parecer padronizado. Todos usam pulseiras de holograma (uma pulseirinha da moda que promete flexibilidade, força, velocidade e inteligência instantânea pra quem usar), logo tenho que usar também... mesmo sem acreditar que elas façam efeito algum. Todos querem ir para o aniversário de fulana, logo você tem que ir também... mesmo sem nem ter vontade de ir. Tudo por que você não quer se sentir anormal, diferente, excluído, alienígena.

Afinal, os dois comportamentos são mais externos que internos. Um tenta fazer exatamente o contrário do que todos fazem. O outro tenta seguir igualmente o que os outros fazem. E nenhum dos dois faz o que quer.

Então, DANE-SE! Se é padronizado ou não, se é igual aos outros ou não, não importa. O que conta não é sua originalidade ou sua igualdade, é sua vontade.

Por isso, se achou tal corrente que todos os seus colegas usam bonita, por que não usar? Pra pagar de "diferente"? O que isso vai te trazer, além de atenção? Tudo que fazemos é buscando a felicidade. E por que você precisa chamar a atenção pra ser feliz?

E então, se todos os seus colegas acham o Dourado o máximo, e você não acha, continue não achando, oras. Por que seguir o que os outros pensam? Só pra "se incluir no grupo"? O que isso vai te trazer, além de proteção? Tudo que fazemos é buscando a felicidade. E por que você precisa se proteger pra ser feliz? Tem medo de quê?

E por isso, admiro o garoto da foto. Pois ele pode ter sua camisa padronizada, e afinal, ela é bonita, e é isso que importa. Mas sua cabeça é singular. Não é mais um amontoado de listras monocromáticas; é uma cabeça pensante, que segue sua vontade, independente de sua padronização ou não.

QUE SE DANE O CONCEITO DE PADRÃO!
E viva à busca da felicidade.

Bom e mau tempo

São duas fotografias do mesmo prédio, tiradas do mesmo ponto de vistas, só que em dias diferentes, o que muda totalmente o clima de cada imagem.

É como sua vida. É sempre a mesma vida, temos que constatar. Você pode fazer tudo, mudar de amigos, de roupas, de estilo, de pensamentos, mas a vida ainda será a mesma, a não ser que você faça um transplante de cérebro com alguém. Mas há dias que ela está verde e há dias que está marrom. Existem dias de céu azul e dias de céu cinza.

Nem chega a ser uma questão de ponto de vista. O ângulo é o mesmo. O que realmente muda é o tratamento e a importância que você dá a cada ângulo.

Acordamos num dia cinza, e ficamos cinzas. Achamos que a vida É cinza. Que o amanhã não vale a pena, pois é feito de folhas murchas. E perdemos a vontade de olhar pra cima e ver o céu. Perdemos a vontade de viver, de acreditar que tudo pode ser melhor. Nos conformamos com a má imagem de tudo, sentamos e reclamamos de tudo.

Mas nada permanece. Tudo é mutável. Até a morte é mutável, pois a pessoa primeiro não existe, depois é um bebê, depois uma criança, depois um adolescente, um adulto, um idoso e teoricamente, no final uma pessoa morta. Mas depois, a pessoa ainda apodrece, vira ossos, e o depois acaba virando nada, e o ciclo recomeça. As pessoas adoram falar que alegria de pobre dura pouco, mas devemos parar pra pensar que tristezas também duram relativamente pouco. O que mais dura mesmo, é o meio termo. É aquele sentimento nem triste nem feliz, o morno, entre frio e quente. Não devemos julgar nossos dias por uma imagem ruim.

E nem por uma imagem boa. Vemos nosso dia verdinho, com o céu azul, e criamos expectativas para o futuro. Ficamos com vontade de viver. E aí, no primeiro outono, quando as folhas caem e as árvores perdem a cor, na primeira frustração tudo parece que vem abaixo. Tudo perde o significado. Não devemos nos julgar por momentos, e sim pelo todo.

Esse prédio com plantas nas paredes, é um prédio feliz ou sombrio? Nenhum dos dois. É um prédio normal, como qualquer outro, mas a partir do momento e do tratamento que o fotógrafo deu a ele depois, a imagem adquiriu um tom triste ou alegre. Tudo é assim. A partir de como tratamos tal momento, tal acontecimento, vemos as coisas de uma forma boa ou ruim.



Essa foto, por exemplo, está sem tratamento algum. Do jeito que saiu da máquina. Nela, podemos ver uma mulher olhando um pôr do sol, enquanto crianças nadam e um barco está passando. A gente escolhe como quer ver a cena, que sentimento quer passar a ela.


Você pode escolher ver como um pôr do sol sombrio, escuro, que não ilumina nada direito. Dê ênfase às nuvens negras ao redor, ao teto escuro e a uma mulher solitária e apagada no canto esquerdo. A vida não parece ter significado e uma angústia cresce dentro do peito.


Ou você pode ver as cores mais vivas, ver um fim de um dia realizador, uma experiência totalizante de estar numa cadeira, no fim de tarde, sentindo um calorzinho e vendo o dia terminar, irradiando esperança e beleza. A mulher não se sente solitária; se sente conteplativa em relação a sua vida, observando como a existência é bela.

Podemos moldar nossa existência como quisermos. Podemos interpretar comentários como humilhações ou brincadeiras. E assim, controlamos o que pensamos, nossas opiniões, e não nos deixamos nos levar pelas circunstâncias.

Quando o dia amanhecer do jeito errado, quando você tirar fotos e se achar feio ou burro, olhe de novo. Tire outra foto. Procure pensar que é tudo momentâneo, e que agora você é algo e daqui a pouco não sabe se vai continuar sendo.

E quando o dia amanhecer do jeito certo, você se sentir bonito e inteligente e sentir o poder em suas mãos, não esqueça que a vida tem altos e baixos, e que é errado olhar para o topo de um monte sem lembrar que também existe a base. Pensar nas qualidades, e não nos defeitos; Pensar no que deu certo e não aprender nada com o que deu errado.

E assim, moldando nossos pontos de vista, nos abrimos a mudanças, e tranformamos não só o nosso dia e o nosso humor, mas também a nossa vida.

O espelho de papel


Foto criativa. O homem que segura o disco de vinil se transforma eternamente, nesse momento congelado numa foto, em seu ídolo, no caso, Gil Scott Heron.

Mas quem é esse homem? Ninguém sabe. Dá pra ver o rosto e o nome do ídolo, mas o homem que segura o vinil virou só um corpo sem identidade, sem significado. Braços e mãos que saem de um desconhecido suéter listrado. E ele também não vê nada, cego pelo vinil do cantor.

Ao colocar seu artista no lugar de si mesmo, ele acabou sendo o artista. E não a si mesmo. É isso que acontece com o fanatismo hoje em dia. As pessoas colocam seus ídolos na frente de si mesmos, e acabam cegas pelo cantor. Não o conhecem, mas o amam. Apesar de saberem que ele são só seres humanos, os fãs divinificam seus artistas, e lhes atribuem a perfeição. Cegos pela indústria da música, cegos por ideologias, cegos por uma embalagem que só lhes mostra o exterior.

Cada capa de CD é minuciosamente desenhada e formulada antes do CD ser lançado. O artista, em primeiro plano, é enchido de fantasias que não usa na vida real, e são retirados todos as suas imperfeições no Photoshop. É criada uma imagem poderosa, imponente, de um ídolo, de uma "diva".

E nessas capas, os artistas são o querem parecer ser. São espíritos góticos. São negras gostosas e luxuosas. São estrelas revolucionárias e originais.
E essas capas viram espelhos de papel. Os fãs compram e se vêem nesses artistas, querem copiar as roupas, as coreografias, o gosto musical... E acabam sendo manipulados por uma indústria que forma divas de mentira.

Ninguém é perfeito. Todos somos seres humanos, e não existe nenhum artista que seja a mesma coisa na capa do cd e na vida real.

E acabamos querendo ser pessoas que nem sabemos quem são de verdade, por trás de toda a fantasia e Photoshop, e esquecemos das pessoas mais importantes, nós mesmos.

E esse homem, por trás do Gill Scott, devia mostrar seu rosto. E ter orgulho do seu rosto. E todos esses fãs, que dizem que ama fulana, que fulana é perfeita, deviam olhar mais pra si mesmos. Você deve SE AMAR. Você sim é que é importante. Você deve amar a você e às pessoas ao seu redor, e não amar pessoas que você só conhece uma imagem distorcida, uma caricatura exagerada e repleta de maquiagem fazendo movimentos forçados em clipes.

Ídolos e heróis são de mentira. Pessoas são de verdade, e são feitas de qualidades e defeitos. Não dá pra se espelhar em imagens de papel. O mundo já tem alienados demais. Vamos procurar admirar mais aquela ação que sua mãe fez e que determinou seu futuro? Ou aquela atitude super leal que tal amigo está tendo com você? Ou quem sabe aquilo que você fez a alguns dias atrás, que foi super legal e merecia reconhecimento? Pois isso sim, é concreto, e não manipulado pela indústria.

Pois por mais que uma diva seja uma diva, uma hora ela sente dor de barriga e caga. E por mais que você se projete em outras pessoas, você sempre será a si mesmo.

Então vamos tentar ser algo melhor?

Dogma


É como um anzol vindo do céu. É como se um conto de fadas sobre um paraíso imaginário acima da atmosfera quisesse fisgar nossa capacidade de pensar e nos pescar, como peixes indefesos, e matar nossa liberdade. Nós, a maioria formada por peixes condicionados a não questionar o que lhes é imposto, olha pra cima e vê um lugar desconhecido. Vê a imensidão azul e crê piamente que ali existe algo a mais.

Mas quando um peixe é pescado, o que ele encontra? Morte. Fim dos seus desejos, fim dos seus dias. O anzol com um petisco na ponta lhe prometia melhores dias, não é mesmo? Mas seus dias acabarão, da forma mais simplória e normal possível. Mas você escolhe se eles serão terminados enquanto você tem seu cérebro pescado por uma ideologia de 2.000 anos ou por conta própria, decidindo você mesmo o que quer da sua vida.

Por que tanto falam de céu?


É por que as pessoas acham lá em cima acharão uma saída. Acham que projetando sua existência numa escada que vai te levar pra o céu, conseguem esquecer dos seus problemas. Acham que tudo aqui pode ser explicado com interpretações bíblicas, e que a vida é só uma passagem, uma subida em rumo ao paraíso. É uma fuga, uma fuga desesperada, uma tentativa de saída no meio de um mundo cruel em rumo a uma sociedade utópica.

Mas problemas não se resolvem com fugas. Fuga é fuga. O problema continua lá, você só está longe dele. E assim funciona. Os problemas estão aqui presentes, estão aqui normalmente em nossas vidas, e ao invés de pensarmos em soluções, nos ajoelhamos, juntamos as mãos e oramos pro nada. Achando que ajuda vai cair do céu, achando que Ele vai encontrar uma saída.

Mas não existe Ele. Não existe saída. Só existe o ser humano e os seus problemas, e a possibilidade de tentar resolvê-los ou fechar os olhos e esperar que a maior farsa de todos os tempos resolva tudo pra você.



E então, usam historinhas sobre um superman de dois milênios atrás para sustentar uma ideologia obscura, que limita o homem usando argumentos divinos, que na verdade são baseados em interesses humanos. Uma ideologia de sombras, que escureceu o pensamento humano durante a Idade Média e continua fazendo merda até hoje. A imagem de um homenzinho raquítico e fracassado preso em dois pauzinhos acaba movendo o mundo, e elevando, como em saltos plataforma, a igreja à categoria de quarto ou quinto poder.

Criaram um Deus para esquecer do homem. E então, quando ficam felizes, agradecem "primeiramente a Deus" e não a quem realmente merece. Se têm sorte, foi Ele que proveu. Se não têm, foi por que ele achou que seria melhor assim. E tudo tem explicações fáceis, sustentadas em bases tão sólidas como saltos de palito de dente.


E então, quando estiver afundando, quando estiver passando pela pior fase da sua vida, esqueça de tentar sair dessa. Dar a volta por cima? Isso é para os fracos. Não tente se salvar. Junte as mãozinhas e reze para que ele te salve, pois ele é que decide se você vai se salvar ou não.

E assim, milhares de pessoas jogam suas vidas não mãos de Deus. E como Deus não existe, jogam sua vida no nada. Joga a vida fora, e a cada dia afundam mais um pouco, ficando cada vez com menos ar pra respirar, menos poder de escolha, mais limitações, mais medo e mais covardia. Fecham os olhos pros seus reflexos, que mostram pessoas que se acostumaram com a ilusão e não querem aceitar a verdade: Vocês estão sozinhos, e tem que se virar.

Quatro imagens, um só dogma.

O que você vê te faz pensar, você pensa no que não vê ou não quer ver o que no fundo está pensando?

Ideologias


E idéias como pássaros.

Quando olhamos essa imagem, nos focamos em duas coisas: Na mulher e nos pássaros. E eu disse nos pássaros, no plural. É difícil olhar essa imagem e focar em um pássaro só.

Qual é o pássaro mais bonito?
Qual parece estar voando melhor?
Qual é o pássaro mais feio?
Qual é o pássaro que vai voar pro lugar certo?

Não dá pra responder. São muitos pássaros. E pássaros voando a todo momento, trocando de lugares, trocando de posições, mudando nosso ponto de vista em relação a todos eles.

A garota se concentra, e se fecha para esses pássaros. Ela os ouve, sabe que eles estão ali, mas ela fecha os olhos e olha antes de tudo para si mesma. O conceito de beleza, de superioridade, de certo ou errado é antes de tudo DELA. O importante não é o pássaro certo. É quem escolhe o pássaro certo.

Pra mim, esses pássaros são as ideologias que nos cercam. Um dos pássaros me diz que ter músculos e beber antes da idade permitida é pressão da sociedade para que as pessoas sejam incluídas em determinado grupo. Outro pássaro me diz que é importante gostar de si mesmo e trabalhar para se achar bonito, se achar desejável e acreditar nisso. Outro diz que não devemos ligar para as regras, pois elas nos limitam, e devemos agir conforme nossas vontades, pois elas sim trazem a felicidade (Maldito pássaro nietzschiniano!).

E aí, hoje em dia, ficamos perdidos. Eu estou perdido. Qual é a ideologia correta? Qual a ideologia traz mais benefícios à minha vida? Seguir a moral ou a ética me limita ou me torna um ser melhor?

Hoje em dia, cada comportamento de cada pessoa é mascarado por ideologias. Se a pessoa é nerd e resolve mudar, beber, se divertir, é taxada de "estar tentando se incluir numa sociedade cruel" e "estar mudando pelos outros". Se uma pessoa ouve música internacional e não ouve nacional, "está desvalorizando a cultura brasileira e se alienando com cultura estrangeira". Se a pessoa pensa mais nos outros do que em si, "está esquecendo de si mesma", e se é o contrário, está "sendo egoísta".

Por que os comportamentos são taxados e rotulados por ideologias? Por que pensamentos e comportamentos tem de assumir a forma de pássaros negros cheios de críticas que assombram nossas vidas? Todo dia o ser humano se depara com milhares de certos e errados que trocam de lugar constantemente, mudando sua concepção de mundo.

Pois a melhor postura de todas, é a postura da garota.

Podem dizer que sou comunista ou capitalista;
Podem me chamar de nerd ou fútil;
Podem me chamar de radical ou alienado;
Podem me chamar de revolucionário ou louco.

O que importa não é o nome que chamam, é o nome que eu dou. É a minha motivação, é o que eu escolhi como sendo causa das minhas ações. Podem falar que estou sendo tudo ou nada. O importante é cada um saber o que é e o que pretende ser, e não se deixar levar pelas opiniões das milhares de ideologias cheias de rótulos e preconceitos da sociedade.

E não se engane, esse texto está cheio delas.

Virar de costas para os pássaros negros que te pertubam, fechar os olhos, respirar fundo e a partir de suas concepções, tomar suas decisões e exercer sua liberdade, sem a interferência de ninguém. E assim, fazendo de você não uma pessoa melhor ou pior, mas uma pessoa que teve a certeza que fez o que queria, e não o que foi imposto pelos outros, que infelizmente não param de piar nos nossos ouvidos.

Windows


Um urso usando um computador, mas a tela é transparente e ele acaba vendo uma janela que mostra o que acontece lá fora.

Uma interpretação simplista seria dizer que o computador nos informa do que acontece "lá fora", no exterior, em outras localidades, através do fenômeno da globalização. Mas pra mim essa interpretação não é interessante.

Lá fora, tudo colorido. Dentro do quarto, tudo cinza. E o urso busca ver as cores através da tela do computador, quando poderia muito bem abrir a porta e ver as cores de verdade.

É isso que me chama a atenção. Hoje em dia buscamos soluções, fugas, amizades, tudo na internet, nos meios tecnológicos, e acabamos tentando substituir nossas vidas por meio de máquinas. Ao invés de amigos palpáveis, com cheiro, textura e som, temos amigos virtuais, contatos de orkut, que o máximo que nos fornecem são bate-papos de MSN e compartilhamento de fotos. Ao invés de viajarmos a lugares belos, colocamos papéis de paredes de lindos cenários na tela do nosso computador. Ao invés de irmos em busca de nossos desejos, de fazer sexo, substituímos nossa necessidade em sites pornôs. Ao invés de irmos em busca do objetivo, vamos em busca de sua representação.

E isso é ridículo. Realidade é realidade, representação é representação. Isso me lembra muito a teoria platoniana que diz que existem dois mundos, o mundo das cópias e o mundo das idéias (o mundo real). O mundo das cópias é feito de meras representações do mundo das idéias, que seriam o mundo verdadeiro, original. Hoje em dia, buscamos cópias da nossa realidade no computador, achando que amigos virtuais, sexo virtual, amor virtual pode substituir o calor e o prazer de estar com uma pessoa de verdade, fazendo coisas de verdade.

Representações são mais fáceis de conseguir. A comunicação é isso, divulgação de representações da realidade, seja por meio de discursos falados, escritos, visuais, sonoros, etc. Mas acabam só representando.

E representando no sentido amplo da palavra. São como atores que representam sua peça no palco, onde nós sabemos que é tudo mentirinha, que o mocinho não ama a mocinha, que a vilã é alguém totalmente normal e que quando o final termina, a vida não acaba. É preciso mais consciência que a internet e todos os meios de comunicações são artifícios que imitam a realidade, mas não a substituem.

Novelas. Tem gente que não perde, tem gente que não vive sem. Helena vai se separar de Marcos? Dora vai ter trigêmeos? A menina psicopata vai matar alguém? "Eis a questão".
Big Brother. Existe um interesse em massa em acompanhar cada passo, cada respiração, cada olhar de cada brother. Fernanda peidou, e segundos depois todos sabiam disso. Serginho falou isso, todos já sabem aquilo. Por que tanto interesse?

A alguns meses, passou uma matéria no fantástico explicando exatamente isso. O telespectador que chora quando vê uma novela, que se emociona quando vê o reencontro de Maya e Raj, é o telespectador que se transporta pra dentro da cena e se imagina sentindo o que o personagem está sentindo. O noveleiro se projeta nos personagens e chora lágrimas reais por situações ficcionais.

Eu entendo o lado artístico, onde o ser humano se identifica com a obra e passa a se sentir parte dela. Mas não entendo essa necessidade de substituir a realidade por meio de novelas, reality shows, redes sociais, blogs e outros meios de comunicação. Por que algumas pessoas tem tanta coragem de falar o que sentem na internet, e tanta frieza na vida real? Por que admiramos os protagonistas de filmes e não procuramos fazer ações admiráveis e satisfatórias?

Por medo. Medo do que pode estar atrás da janela, medo do desconhecido. É mais seguro ficar no mundinho triste e cinza e ver o mundo colorido e desejado protegido por uma tela de vidro. E assim, nos tornamos fantasmas cibernéticos.

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